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Comunidade

A próxima usina do Rio vai ser dos vizinhos

A lei já permite que vizinhos, condomínios e pequenos comércios sejam donos de uma usina juntos. Energia deixa de ser um assunto só entre você e a distribuidora.

31 de outubro de 20264 min de leituraPACE Inteligência Energética
Condomínio Memorial · São Paulo

Imagine a Tijuca com uma usina solar que pertence aos próprios moradores. Ou Botafogo, ou Campo Grande, ou a Barra. Não é uma usina da distribuidora nem de um fundo estrangeiro. É dos vizinhos, dos condomínios, da padaria da esquina e da academia do bairro.

Parece utopia, mas a lei brasileira já permite.

A ideia antiga: energia é assunto individual

A gente sempre tratou energia como uma relação a dois: você e a distribuidora. Um medidor, uma conta, um CPF ou CNPJ. Quando a energia solar chegou, veio no mesmo formato: cada um com o seu telhado, o seu sistema, a sua economia.

Esse modelo deixou muita gente de fora. Quem mora em apartamento não tem telhado próprio. Quem aluga uma loja não vai instalar painéis num imóvel que não é seu. O pequeno comércio raramente tem espaço. Para essas pessoas, a energia solar sempre pareceu coisa dos outros.

A ideia nova: energia é coisa de comunidade

A Lei 14.300 abriu outros caminhos. O dono do telhado e o dono da conta não precisam mais ser a mesma pessoa. A energia pode ser produzida num lugar e abater a conta de outro, ou de vários.

Como uma usina divide a energia entre vizinhos

Exemplo: cada participante recebe créditos na própria conta, conforme a sua cota.

Usina solar Rede dadistribuidora Prédio40% dos créditos Padaria25% dos créditos Casa20% dos créditos Academia15% dos créditos
A energia não vai fisicamente para cada endereço: ela entra na rede, e a distribuidora lança os créditos na conta de cada participante. Todos precisam estar na área da mesma distribuidora.

A lei reconhece quatro formas de fazer isso:

As formas de geração própria previstas na Lei 14.300
ModalidadeComo funcionaExemplo
Junto à cargaA usina fica no próprio imóvel que consome.Casa com painéis no telhado
Autoconsumo remotoA usina fica em outro endereço do mesmo titular (CPF ou CNPJ).Rede de lojas com uma usina num terreno
Geração compartilhadaPessoas ou empresas se reúnem em consórcio, cooperativa, condomínio ou associação civil e dividem a energia.Cooperativa de moradores e comércios do bairro
Múltiplas unidades consumidorasUm condomínio gera energia e reparte os créditos entre as unidades.Prédio com usina na cobertura
A energia solar deixa de ser privilégio de quem tem telhado e passa a ser de quem se organiza.

O condomínio já sabe fazer isso

Se existe uma instituição que prova que o brasileiro sabe dividir infraestrutura, é o condomínio. Portaria, limpeza, manutenção, piscina, gerador: tudo é decidido em conjunto, rateado e cobrado todo mês. Uma usina é só mais uma coisa que o prédio, ou o bairro, pode decidir ter em comum. A diferença é que essa, em vez de criar despesa, reduz a despesa de todos.

Em outras regiões do país, cooperativas de energia solar já reúnem centenas e até milhares de associados. Muitas nasceram de comunidades que se cansaram de depender de um único fornecedor.

Como nasce uma usina de bairro

  1. Reunir os interessados e somar o consumo de todos, a partir das contas de luz.
  2. Encontrar o lugar: um telhado grande, um galpão, um estacionamento ou um terreno na área da mesma distribuidora.
  3. Escolher a forma jurídica: cooperativa, consórcio, condomínio ou associação, conforme quem participa.
  4. Projetar, pedir a ligação à distribuidora e instalar a usina.
  5. Definir a cota de cada um e informar à distribuidora como os créditos são divididos.

O Rio tem tudo para isso

Sol, condomínios em todo canto, bairros com identidade forte e muita gente cansada de reajuste e de falta de luz. O que falta é alguém organizar: encontrar o telhado ou o terreno, montar o grupo, cuidar da parte jurídica e técnica e fazer a conta para que todos ganhem.

É aí que a PACE quer estar. Não como mais uma vendedora de placa, mas como quem ajuda o bairro a montar a própria usina.

Em uma fraseA próxima usina do Rio não vai ter um dono. Vai ter vizinhos.
Para não esquecer
Cooperativa de energia
Uma sociedade em que cada associado é dono de uma parte da usina e recebe créditos na própria conta.
Consórcio
Um acordo entre empresas para dividir uma usina, comum entre CNPJs.
Rateio de créditos
A divisão, em percentuais, da energia gerada entre os participantes, informada à distribuidora.
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Na prática

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